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Fomos saber o que pensam "lá fora" sobre a AF Porto e a resposta vai surpreendê-lo

Paulo Ferreira (à direita) com o futebolista Danny, do Marítimo

Que a AF Porto é a associação com mais peso a nível nacional, disso já sabemos. No entanto, as manchetes na imprensa nacional nem sempre têm sido simpáticas com o futebol do nosso distrito. Colocam em letras gordas os casos de violência que têm assombrado nos últimos tempos o nosso futebol, tratando em jeito de rodapé as qualidades que nos diferenciam de outros distritos. Afinal, o que pensam "lá fora" sobre a AF Porto? A resposta certamente vai agradá-lo.


Paulo Ferreira tem 34 anos, é natural de Trás-os-Montes e vive na Régua. No futebol, chegou a treinar  históricos da sua região como o SC Régua e Santa Marta. Conhece bem a realidade do futebol da sua região mas está atento, através do que lê nos jornais e nas redes sociais, ao que se passa nos distritos vizinhos como Porto. Paulo Ferreira começa por nos dizer que, tal como ele, há muitos mais por esse país fora que olham para a AF Porto com alguma admiração e explica-nos o porquê. Leia, em baixo, a entrevista na íntegra.






Bancada Distrital:Como treinador de futebol num distrito vizinho (Vila Real) qual a tua primeira impressão acerca dos campeonatos da AF Porto?

Paulo Ferreira: Antes de tudo, queria agradecer o vosso convite para poder falar um pouco de futebol e da AF Porto e parabenizar o Bancada Distrital pelo excelente trabalho na divulgação de tudo o que à AF Porto diz respeito. Em relação à AF Porto, a minha impressão é muito boa, estamos perante campeonatos muito competitivos, com jogadores de grande qualidade e equipas com um historial enorme a nível nacional. Outra coisa, é ver equipas que ainda há bem pouco tempo estavam na segunda liga, e agora competem nesta associação, logo, traz sempre alguma curiosidade a qualquer adepto de futebol.

BD: Sabemos que costumas acompanhar o futebol do nosso distrito. O que te deixa mais impressionado?

PF: É uma associação que em todos os fins-de-semana nos reserva sempre derbies locais intensos e apaixonantes. O chamado “bairrismo” está sempre presente em cada jogo, tal como estádios e campos sempre bem compostos. Depois, de referir que a localização geográfica da maioria das equipas permite que as distancias sejam curtas, logo o acompanhamento das equipas por parte dos adeptos é muito visível em cada jogo.Ver equipas como o Salgueiros, Tirsense, Freamunde, Lixa, Infesta, Canelas entre outras a este nível, realmente é estranho, mas torna esta associação muito mais interessante.


Depois, perceber que esta associação pode ser comparada ao campeonato de Portugal, visto que existem equipas com orçamentos muito interessantes, tais como as suas condições de trabalho. Por último, dizer que esta associação é repleta de equipas B, de equipas que militam na primeira e segunda liga, logo o talento de jovens atletas, que são primeiro ano de sénior, que não têm espaço em equipas com objectivos bem definidos, por exemplo a subida de divisão, possam crescer neste quadro competitivo tão atractivo. Logo, encontramos jogadores bem formados, com muita qualidade individual, e que podem chegar ao campeonato de Portugal bem como primeira e segunda liga, mas para isso é preciso rigor, sorte e muito trabalho.

BD: O nosso prato-forte é sem dúvida a Divisão de Elite, prova onde muitas  equipas (36 em duas séries de 18) lutam por uma vaga no CP do próximo ano. Daquilo que tens lido ou visto, qual para ti as equipas em destaque na prova?

PF: Para mim, terei que dividir em resposta em duas. Em relação à serie 1, claramente que o Canelas 2010, Valadares e Padroense são equipas que se destacam, quer pela classificação em que estão de momento quer pelos seus objectivos, embora haja equipas muito interessantes, e que praticam um futebol bastante interessante e atractivo também, como o caso do Foz, Rio Ave B e o Maia, outro histórico do nosso futebol.

Depois, a série 2 é uma série mais equilibrada tal como a classificação indica até ao momento. Basta ver que, do segundo classificado até ao sétimo, separam apenas 7 pontos, pois ainda não finalizou a primeira volta. Assim, posso dizer que nesta série, equipas como, Rebordosa, Freamunde,Tirsense e Sousense para mim vao lutar até ao fim pela fase de subida. Embora acredite que o Aliados possa ter uma palavra a dizer, bem como o São Pedro da Cova e Lixa, isto pelo futebol que praticam.



BD: SC Vila Real e SC Régua, 1º e 2º classificado na Divisão de Honra do teu distrito, seriam capazes de ombrear com o Canelas e Rebordosa, equipas que actualmente lideram a série 1 e 2 respectivamente?

PF: É sempre uma pergunta complicada de responder, até porque a realidade é totalmente díspar. Olhamos para a Divisão de Honra de Vila Real, e vemos que geograficamente não é possível recrutar talento para poder escolher o melhor para as equipas, enquanto na AF Porto é mais fácil ir buscar atletas com muito potencial a clubes formadores, que ainda no ano transacto jogavam na primeira divisão nacional de juniores A. No distrito de Vila Real só duas equipas, salvo erro, jogam na nacional de Juniores A. Logo, já aí, existe um decréscimo de qualidade para escolher, depois, o “Grande Porto”, até porque tem faculdades permite fixar por ali jogadores com talento e capacidade para ainda lutarem pelo chamado "sonho". Depois, embora eu ache que o SC Vila Real e o SC Régua, com projectos diferentes mas o mesmo objectivo tenham grandes equipas, continuo a dizer que não podemos equiparar com o Canelas nem Rebordosa, até porque nestas equipas militam jogadores que ainda há bem pouco tempo jogavam no Campeonato de Portugal ou são provenientes da formação de equipas como Paços Ferreira, Aves, Leixões, Boavista…entre outras equipas deste género.

BD: A equipa do BD é unânime acerca da qualidade dos nossos treinadores. Existe uma geração de treinadores promissores. Partilhas da mesma opinião? Já agora, que treinadores conheces ou ouviste falar?




PF: Sim, sem dúvida, existem muitos e bons treinadores que só precisam de uma oportunidade para trabalhar e de pessoas certas para o projecto certo. Para mim ser novo ou “velho”, ou ter mais ou menos experiência, não significa ter mais ou menos competência, sabedoria e ideias para colocar em prática. Basta veres casos como o do Hugo Falcão do Cova da Piedade, que tem 27 anos, e recuso-me a dizer apenas, porque cada um tem a idade que tem, e isso não significa nada. Dou este exemplo como poderia dizer vários, mas este para mim de maior expressão, porque sem assumir nenhuma equipa do futebol profissional em Portugal, já está num patamar bem elevado. Mas como ele existem vários pelo nosso país e como muita qualidade. Cada treinador tem os seus métodos, todos na minha opinião, somos ladrões de ideias, mas cada um tem o seu cunho pessoal, a sua ideia final, o seu método.

Em relação aos treinadores, conheço alguns pessoalmente, outros pelo trabalho e outros pelo que ouço. Destaco, o Álvaro Madureira do Foz, para mim, não tarda vamos ouvir falar dele, depois César Pinho ex-Águas Santas, o regressado João Ferreira do Avintes, o Barroso do Freamunde e, por último, o José Gomes do Rio Ave B, que gosto imenso. Depois temos nomes como o Tonanha do Rebordosa, Paulo Campos do Valadares Gaia, Abílio do Canidelo, Armando do São Pedro da Cova. A AF Porto está recheada de treinadores com muito potencial!

BD:  Os campeonatos não profissionais do distrito do Porto têm sempre muito destaque na imprensa nacional. Isso de algum modo te deixa surpreendido?

PF:  Nada surpreendido, por tudo o que já referi.Ver históricos do nosso futebol, nestes campeonatos, depois, ex-atletas com alguns pergaminhos no panorama nacional serem treinadores principais, depois atletas em fim de ciclo, mas que para este nível são excelentes apostas e miúdos com muito potencial saídos da formação. Por estas razões, e outras, faz todo o sentido que estes campeonatos sejam destaque todas as segundas feiras nos nossos jornais por esse país fora.

BD: Sabemos que o Paulo Ferreira é um jovem treinador com pergaminhos na AF Vila Real, onde já orientou históricos como o SC Régua e Santa Marta. Gostaria de um dia, se lhe fosse dada essa oportunidade, de treinar uma equipa nos campeonatos da AF Porto?

PF: Sim, porque não? O nos colocar à prova, reinventar, aprender, crescer e tornar melhor é sempre o nosso desafio maior. E fazer o que mais gostamos. Depois, claro, que gostaria de representar e treinar um dia na AF Porto, caso as condições fossem boas e vantajosas para isso acontecer. Sei que é uma realidade totalmente diferente.


BD: Por fim, queres deixar algo que não foi dito nas respostas anteriores?

PF: Sim gostaria de vos felicitar mais uma vez pelo vosso excelente trabalho. Aproveito para desejar a todos um santo e feliz natal e que todas as equipas da AF Porto consigam alcançar os seus objectivos.



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