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Entrevista com David Moina:«Depois da minha saída do Torrados, tive muitas propostas de equipas de várias associações»


David Leite Da cunha tem 40 anos, nasceu e estudou em França. Jogou em Portugal por 2 clubes, ACR Sendim, clube da sua terra, e UD Torrados, ambos do Campeonato de Futebol Popular de Felgueiras. O primeiro título da UD Torrados foi a Taça de Felgueiras e David Moina, como é conhecido, jogava nessa equipa. Uma lesão nos ligamentos cruzados anteriores impediu-o de continuar a jogar e assumiu a função de treinador do clube da sua terra onde conseguiu a proeza de ganhar o 1º título do clube, a Taça de Felgueiras. No ano seguinte foi convidado para orientar a UD Torrados que passou de um clube com apenas uma taça ganha para o clube com mais títulos no concelho de Felgueiras (2 Campeonatos, 3 Taças, 3 Supertaças e conseguindo, além disso, atingir as meias finais das inter concelhias).



A pedido de David Moina, em 2015/2016 a UD Torrados federou-se nos campeonatos distritais da AF Porto tendo acabado o campeonato da 2ª Divisão Distrital na 4ª posição a apenas 1 ponto do play-off de subida, ficando também com o registo da melhor defesa da sua série e a segunda melhor de toda a 2ª divisão. Na época transata conseguiu o feito histórico de conduzir a UD Torrados à subida de divisão, tendo acabado em 1º lugar da sua série, e continuando com um dos melhores registos de melhor defesa e melhor ataque da divisão. Além disso a equipa orientada por David Moina era uma das melhores equipas do campeonato a praticar futebol. Apesar destes feitos o clube não tinha campo próprio e a equipa tinha de andar “sempre com as malas às costas”.
David Moina esteve durante sete anos na UD Torrados (os quatro últimos como treinador e as restantes como jogador), e a claque do clube até tem o seu nome, Ultra Moinas, mas este verão surgiram algumas divergências entre o clube e o técnico e a sua continuidade acabou por não se concretizar, levando David Moina a aceitar um novo desafio.
Depois de uma pequena exposição do seu percurso, David Moina responde a algumas questões da Bancada Distrital, onde revela os motivos que levaram à rutura da ligação com o clube felgueirense, as suas ambições para o novo projeto e desvenda alguns pormenores da sua vida desportiva.
Bancada Distrital (BD) - Depois do excelente desempenho realizado no Torrados, o que motivou a sua saída? Sai triste com o clube?
David Moina (DM) – Nunca pensei sair do Torrados desta forma. Nunca! Eu já andava a planear a próxima época quando o presidente me fala em ter um Torrados como a seleção da Suécia, com 2 treinadores principais. Não aceitei a ideia! No dia seguinte dispensa um jogador sem o meu conhecimento, e como ainda hoje acho que ele (presidente) faz mais falta do que eu no clube, acabei por ir embora. Estranhamente o treinador que ele queria colocar à minha beira acabou por ser o treinador principal. O que é facto é que fez 3 treinos e 1 jogo treino e demitiu-se.
Saio magoado com o presidente porque sou acusado como culpado de alguns jogadores não continuarem no clube, quando havia de sentir orgulhoso de os ver em patamares superiores (Mondinense, Lixa, Barrosas, Celoricense, Felgueiras b…), mas apesar de estar zangado e magoado não posso esquecer tudo aquilo que juntos fizemos de bom!
BD - Pela subida de divisão no Torrados e pela qualidade de jogo apresentada pelas suas equipas sentiu-se preparado para outros voos? O que o levou a aceitar um projeto um pouco diferente, numa equipa de formação?
DM - Felizmente depois de anunciar a minha saída tive muitas propostas de várias equipas de diferentes associações (AF Porto, AF Braga, AF Vila Real), mas por um ou outro motivo não conseguia conciliar a minha vida pessoal e profissional com o futebol. Sei que nos últimos anos tenho vindo a recusar propostas vantajosas a nível desportivo e até a nível financeiro, mas o coração falava sempre mais alto.



Desde o primeiro dia que o FC Lagares mostrou interesse em mim. Acabei por aceitar a equipa de juniores do FC Lagares para não ser acusado de “destruir” o Torrados. Continuo a amar o Torrados, as pessoas, os adeptos e os jogadores, mas alguém quis de outra forma e agora é hora de tentar deixar a minha marca na minha nova casa que é o FC Lagares. Tenho a certeza que voltarei a treinar seniores porque acho que o meu percurso fala por si.
BD - Pensa um dia voltar ao UD Torrados?
DM - O Torrados é o meu clube. Um clube que me marcou e que ainda hoje me custa falar. Tenho lá muitos amigos e nada nem ninguém apaga o que fiz lá, mas hoje a minha luta e a minha casa são outras. Tudo farei para dignificar e honrar o FC Lagares e estou muito grato por me ter aberto uma porta.
BD - Quais os objetivos para esta temporada?
DM - O objetivo é tentar fazer dos meus “jaguares” uma equipa à minha imagem: uma equipa que luta, que corre e que honra a camisola que tem vestida. Na época passada ficaram a 1 ponto da subida e nós queremos ficar só a meio ponto...
BD - Quais as principais dificuldades sentidas até ao momento?
DM - Para já o maior problema é conhecer os meus jogadores. É um escalão diferente e nada sabia deles, enquanto nos seniores e na nossa zona conhecia todos os jogadores, as suas qualidades e defeitos. Além disso existe o obstáculo do desconhecimento total das outras equipas, mas tenho vindo a fazer observações e no torneio de Macieira já se viu um pouco desse trabalho de scouting. Nos juniores é uma aventura totalmente nova. O clube tem-me dado condições como nunca tive, sou acarinhado e nada me falta. Tenho agora que contribuir com bom futebol e o resto vem por acréscimo.
BD - Já começaram os testes de preparação da equipa, quais as conclusões que já registou?
DM - Tenho um grupo fantástico, um grupo de miúdos que luta e que corre até cair para o lado. Os meus “jaguares” são muito unidos e para já estou a gostar muito daquilo que tenho visto. Eles já sabem aquilo que quero e o que não quero. No passado fim-de-semana conquistamos o torneio de Macieira, mas ainda precisamos de reforçar uma ou outra posição até ao início da prova para podermos ter um plantel mais competitivo e com mais opções. Juntamente com os meus “jaguares” espero conseguir fazer história nesta época que se avizinha.
BD - Como treinador quais os princípios em que se baseia para liderar as suas equipas?
DM - Sou um treinador amigo dos meus jogadores. Não sou um “pai” mas ando lá perto. Tenho regras que nao abdico, sou justo e não gosto de perder. Tento fazer dos meus “moinas” jogadores com raça e com fome de vitórias.
BD - Qual o treinador que mais admira na atualidade? Porquê?
DM - Mourinho é português e tem que ser venerado! Admiro as suas abordagens aos jogos e a sua frontalidade. Gosto muito do Bielsa pela sua paixão e pela forma como se relaciona com os jogadores. Raymond Goethals marcou a minha infância pela forma como punha as suas equipas a praticar futebol.
BD - De que forma ser treinador de uma equipa de formação pode contribuir para o seu enriquecimento enquanto treinador?
DM - Nova aventura! Novo desafio! Tentar formar miúdos em homens! Eu próprio vou ter um tipo de liderança e de comportamentos diferente! Tentar melhorá-los tática e tecnicamente e tentar formar um bom grupo e no fim vou tirar as minhas conclusões.
BD - A médio ou curto prazo quais são as suas principais ambições?
DM - Para já estou focado nos juniores do FC Lagares, mas não escondo que quero voltar a treinar seniores. Quero treinar uma equipa com ambições, com condições e com vontade de fazer história. Um projeto aliciante a nível desportivo, mas até ao final o meu foco, a minha vontade e o meu trabalho estão nos juniores do FC Lagares.
BD - Tem alguma história que o tivesse marcado, pela positiva ou pela negativa ou simplesmente caricata que lhe tivesse acontecido no mundo do futebol?
DM - Lembro-me do meu primeiro título como treinador do Torrados, da alegria, dos festejos, das lágrimas, do autocarro descapotável, dos cigarros, da bebedeira...
Recordo-me também de num jogo fazer entrar o meu guarda-redes suplente num penálti e ele defender.
Fico triste do meu falecido pai não poder acompanhar as minhas últimas épocas de sucesso e de não poder seguir também o meu filho nos escalões de formação do FC Felgueiras.
BD - Durante a sua carreira como treinador qual o jogador que o marcou mais?
DM - Tenho vários: Filipe (21) por ser um amigo quando nunca pensei encontrar uma pessoa como ele; Fernando Teófilo pela sua garra e fome de vitórias; Quim e Toni Cachada, irmãos que sabiam “tratar” a bola como ninguém; Álvaro Alves por ser um matador e marcar 40 golos por época; Márcio Teixeira “Balotelli” por ser um craque e que passou ao lado de uma grande carreira; Manuel Ribeiro “Rola” por ser um fora de série; Jorginho por conseguir fazer épocas atrás de épocas, exibições de luxo e sempre ao mesmo nível; Filipe Ferreira e Vitor Carvalhais, dois guarda-redes fantásticos.
Nestes últimos dois anos tive a sorte de ter jogadores com uma qualidade acima da média: Nuno, Tiaguinho, Rafa, Moisés, Ferros, Diogo, Ruizinho, Paulinho, Postiga, Nata…
Tenho tido a sorte de ao longo dos anos ter liderado acima de tudo homens fantásticos e todos eles mereciam ter o seu nome escrito pois é graças a eles todos os meus sucessos e conquistas.
BD - Durante a época passada qual a equipa que mais gozo lhe deu defrontar, pela sua qualidade, organização e desempenho?
DM - O SC Salvadorense é a besta negra do Torrados, e ainda hoje não entendo, praticámos sempre bom futebol, mas eles ganharam!
O Marco 09 e o Lousada são diferentes, sentimo-nos noutro nível, quer pela história dos clubes, quer pelos seus estádios e é sempre bom defrontá-los.
E os nossos dérbis de Felgueiras, em que na semana antes do jogo só se fala nisso e os campos ficam cheios de adeptos. Várzea, Lagares e Airães são sempre jogos especiais e na última época ganhamos todos os dérbis em casa e fora.
BD - Qual o treinador que mais gostou de defrontar?
DM - O mister Rui Matos do SC Salvadorense pela sua forma de estar, pela sinceridade e pelas palavras amigas que sempre teve comigo.

David Monteiro

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